22.4.09
ontem eu vi o show do Radiohead.
Engraçado e estranho falar isso. Parece que não condiz. E na verdade eu vi o show, pelo youtube.
É uma sensação meio catársica ver o show que o multishow exibiu e saber que eu tava ali, pelo meião, flanando. Aquela iluminação alucinógena, mesmo porque meu pés não aguentavam mais o meu peso e vice-versa. O Thom York saiu da mtv, da revista e pousou na minha frente e na frente de 34 mil pessoas que eu deveria conhecer umas doze delas. Eu precisava de água e um espaço pequeno pra sentar, e não havia. Eu não podia me afastar no meio da música, sem o show ter realmente acabado, e esperei. Esperei. O Rodrigo preocupado comigo. E a sensação de desmaio veio na penultima música: Everything In Its Right Place, fui contra toda a multidão, olhando sempre pra trás (palco) e cada vez mais eu sentia que aquilo eu tinha que viver naquela hora, tava acabando e inclusive eu estava completamente acabada já era 00h e estava em pé desde as 16h. A ansiedade cansa, não só o físico. Eu pensei na minha mãe, no meu pai. Na Izabel, na Izabel e o quanto eu queria a presença dela reclamando da multidão ou empurrando todo mundo. No Paulinho em There, There que estava, não muito longe, pensando talvez no Hail To The Thief dado pra mim em 2005, justamente meu primeiro contato com o Radiohead, um dos mais lindos. Escutava todo dia antes de dormir, de olhos fechados sem sono. No Armando. No Ícaro em High and Dry e todas as vezes que escutamos na sala de aula o The Bends quando o Iketani chegava e ficava batucando algum hardcore na minha carteira. Na Verena e no quanto ela ficaria deslumbrada. Em mim e no meu estado emocional/financeiro/social/geográfico, enfim. Acabou. Nem foto eu consegui tirar. Minha tentativa de subir no ombro do Rodrigo pra tirar uma foto pelo menos, foi frustada: fui xingada de tudo que eu nem poderia imaginar ser xingada por gente que nem me conhece. (hora do almoço)
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caminhante noturno
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9.4.09
[adorável]
To relendo 'Fragmentos de um discurso amoroso' do GRANDE MESTRE Barthes
Não recomendo, não leiam!
Esta escolha, tão rigorosa que só retém o Único, estabelece, por assim dizer, a diferença entre a transferência analítica e a transferência amorosa; uma é universal, a outra é específica. Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convem ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: porque desejo Esse? Porque o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro que desejo (uma silhueta, uma forama, uma aparência)? Ou é apenas uma parte desse corpo? E nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos pra falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável quer dizer: este é meu desejo, tanto que único: 'É isso! É exatamente isso (que amo)!' "
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caminhante noturno
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6.4.09
vinho com sono
Eu lembro quando o Paulinho tava triste no intervalo e a gente sentou na arquibancada pra conversar e me deu vontade de chorar, até hoje eu lembro e me vem a mesma sensação de nunca querer ver tristeza naquele coração. Era 2005, não fazia nem idéia do que eu me tornaria e nem faço, a gente morre sem saber o que a gente é. Três anos depois, ele viu a maior tristeza que já saiu dos meus olhos e nunca o agradeci por isso. Talvez eu achasse que o meu abraço já era suficiente. Não era. Quem sabe a minha voz. Não era. E até hoje, até hoje eu penso que talvez ele tenha me salvado, e bate aquela saudade. Sentar naquele sofá gelado ficar falando duas horas sem parar, sentindo o gosto de uva na boca, depois vinha o efeito do alcool e a água salgada no rosto, na mão e na blusa. O que mais queria era não sentir mais aquela dor, e eu não entendia o porque que quanto mais eu falava, mais doía.
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caminhante noturno
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