26.9.08

Na madrugada de quinta eu ouvi Cajuína.
Mas não a música, na verdade eu senti o gosto, o cheiro e o arrepio que ela me oferece toda vez que toca. Pode ser na minha cabeça, no computador, no meu fone, no ônibus, alguém cantarolando ou num filme estrangeiro: é sempre a mesma sensação. A mesma nostalgia, o mesmo medo só de olhar dentr... (tenho que sair)

24.9.08

ele quer me ver !

.
to cansada (das pernas)

fodida (na unama)

sozinha ( )

amando isso.

parada de ônibus

Eu não sei porque os assaltantes acham que podem chegar gritando "PASSA A TUA MOCHILA" do nada, como se eu fosse uma irracional que realmente cogitaria a idéia de sair correndo ou simplesmente não dar a mochila... Eu sou uma idiota como todo mundo, me senti uma incapaz, desmoralizada, vi indo embora a minha vida dentro da mochila azul.

-Minha pasta que eu tenho desde 2006 que eu mesma fiz com fotos na capa, o adesivo do Fotoativa, ela era roxa ainda por cima, linda.
- Minha carteira de identidade, minha identidade... toda amassada de tanto enfiar ela no bolso da calça e sair pra festas. A minha cara de ex-presidiária/metaleira/aidética não nega o quanto eu era diferente de hoje.
- Meus desenhos de todo esse semestre... meu professor nem vai acreditar em mim, mas eu não me importo com isso (mentira).
- Minha chave com meu chaveiro de bola de sinuca número 4 (a roxa, a mais bonita)
- 15 reais que meu pai tinha acabado de me dar pra eu usar essa semana (tá, isso eu nem me importei muito em ter perdido)
- O celular usado que meu pai tinha me dado pra poder eu me comunicar com o mundo, e agora, pra variar fiquei sem celular... minha sina!
- Meu mp3 que eu tinha ganhado de aniversário do meu pai há dois anos atrás e que consegui manter vivo até ontem (sim, porque agora deve tá numa boca de fumo ou na mão de um traficante psicopata pedófilo sadomasoquista)
E o pior de tudo:
- O livro do Leminski que tinham me emprestado no mesmo dia... comprado pela internet, que não tem em nenhuma livraria desta cidade!!

Só de ler isso me dá uma aflição e uma saudade da minha mochila azul.

E o dia foi só piorando... MAS, eis que uma ligação...
(ai, coraçãozinho, aguenta vai...)

21.9.08

sozinha de novo, feliz de novo,

15.9.08

nosso amor

.

se falei de você
só falei por falar
(não tinha mais de quem falar)
só sonhei com você
pois não pude evitar
(temos que sonhar)
se fiquei com você
só fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)
se aceitei seu amor
aceitei sem pensar
(não sei recusar)
se ainda estou com você
inda estou por estar
nosso amor afinal
não tem nada de especial
não é paixão não é fatal
não é assim essencial
nem é só sentimento
circunstancial
não é tanta coisa
mas é tão legal!
infeliz de quem vem
até aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)
e me vê com você
vendo o tempo passar
(é só o que verá)
sem saber se esse amor
inda vai decolar
(se cola pode decolar)
eu por mim tudo bem
deixo assim como está
nosso amor se tornou
uma história singular
é só calor e se calar
é só compor sem cantar
nosso amor se espreguiça
só quer vadiar
vai passando os dias
sem se entediar
uma das dúvidas típicas
que ficam no ar:
como que um amor
que não quer nada
pode continuar?
nosso amor
não cansa de durar
sempre foi assim
sempre será
não se pode esperar muito disso
mas também por que esperar?
se falei de você
só falei por falar
(não tinha mais de quem falar)
se fiquei com você
só fiquei por ficar
(quem fica fica por ficar)
infeliz de quem vem
até aqui me buscar
(quem busca adora rebuscar)
sem saber se esse amor
inda vai decolar
(se cola pode decolar)



ps: essa música não tem a ver com nada, mas se a carapuça servir...

14.9.08

termina (?) (!)

Certa vez eu postei um texto do Barthes muito lindo sobre o amor (podia ser clichê se não fosse bom), pessoas comentaram a respeito (inclusive eu) e eu vou registrar agora isso aqui:

Primeiramente o texto:

Como termina um amor? – O quê? Termina? Em suma, ninguém – exceto os outros – nunca sabe disso; uma espécie de inocência mascara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida como se fosse eterna. O que quer que se torne objeto amado, quer ele desapareça ou passe à região da Amizade, de qualquer maneira, eu não o vejo nem mesmo se dissipar: o amor que termina se afasta para um outro mundo como uma nave espacial que deixa de piscar: o ser amado ressoava como um clamor, de repente ei-lo sem brilho ( o outro nunca desaparece quando e como se esperava ). Esse fenômeno resulta de uma imposição do discurso amoroso: eu mesmo (sujeito enamorado) não posso construir até o fim minha história de amor: sou poeta (o recitante apenas do começo); o final dessa história, assim como a minha própria morte, pertence aos outros; eles que escrevam o romance, narrativa exterior, mítica.

~ Roland Barthes
Agora os comentários:
Meu irmão à respeito: Termina? Eu tenho minhas dúvidas quanto a isso...Se termina não era amor.
Eu em resposta: era amor, se terminou é porque havia de terminar.mais cedo ou mais tarde.
Verena: Nesse assunto (amor) nunca sei direito que comentar.Mas vai ver o amor não acaba, só se transforma. Continua, só não da mesma maneira.
Meu irmão: o que a verena falou é exatamente o que eu penso.ele não acaba, se transforma.se achas que acabou, é pq ele jamais existiu de verdade.
Eu: tudo que é sólido se desfaz no ar, acaba.tudo no mundo acaba, mesmo um amor e mesmo o amor sólido.ele, por alguma razão teve que se desfazer, não sei se no ar, talvez aqui dentro, mas teve.acaba. a saudade acaba,não esquecemos, não escondemos, só não mais sentimos.
Yasmin: Eu concordo que o amor nunca acaba, apenas se transforma, mas transforma por que uma das partes quis que transformasse, como se fosse obrigado a se transformar, talvez pelo esquecimento, ser a maioria das vezes obrigatório, quem sabe não seja por isso que nunca acaba, por essa vontade reprimida de amar, e não poder mais...
Meu irmão: Discordo, apesar de serem belas palavras ditas de maneira também bela.Amor, como tudo, acaba. Mas acaba quando? Pra mim acaba com a vida, não antes dela. Apenas a morte destrói o amor. E ainda assim, nem sempre ela o faz.Saudade acaba, mas não é sinônimo de amor. Assim como paixão não é sinônima ao amor. Nem carinho. Nem amizade, ou atração.A questão é se realmente as coisas acabam... As coisas acabam, ou se transformam? Se transformam ou se deslocam? Quem sabe... O que eu sei é que jamais vi um amor se acabar...
Eu: "Saudade acaba, mas não é sinônimo de amor. Assim como paixão não é sinônima ao amor. Nem carinho. Nem amizade, ou atração." Concordo plenamente com isso, nada pode ser comparado com amor, não existe sinônimo (e nem antônimo - até porque o ódio é muito equivalente ao amor), não existe palavra que o valha... mas amor (não) é só uma palavra, por isso ninguém sabe ao certo o que é nem quando o é.Eu já vi amor acabar, não o amor de pai ou de filho ou de irmão, porque mesmo que fujamos disso o amor é diferente quando se trata das pessoas que sentimos isso, ou que achamos que sentimos, sei lá. Não estou confundindo amor com paixão, longe disto. Quem amo, não esqueço, não importa quem seja. Mas se amor não acabasse não existiria o verbo no passado "amei", quer dizer que deixou de amar, mas não significa que não sinta mais nada, o que digo que acaba é o amor, e não qualquer outro sentimento que sentimos pela pessoa.Daqui a 50 anos eu lembrarei da pessoa que amei com os sentimentos ruins e bons que posso ter alimentado por ela e podem até voltar, porque foi amor o que senti, lembrarei sempre com carinho, mesmo se a pessoa tiver mudado, mas o tempo em que ela estava comigo e o que ela foi comigo foi o que amei.Mas depois de ter lido esses comentários, eu acredito que amor pode não acabar, e sim se transformar (ou se deslocar, quem sabe), porque é algo muito forte, como um membro do corpo que não arranca-se do nada, por motivos como tempo ou decepções. Não sei...
Meu irmão: Estás certa, em quase tudo.Mas estás sim, confundindo amor com paixão. Ódio nada tem a ver com amor. Sabes a origem da palavra "paixão"? Paixão originalmente significava "sentimento extremo". Sentimento de quê? De qualquer coisa: ódio, carinho, desespero, tristeza...Amor é amor, e apenas isso. Mas se transforma. Por isso existem diversos tipos de amor. E por isso você jamais esquece a pessoa que amou. Não a deixou de amar. Distanciou-se, talvez. o que faz com que você não mais conheça a pessoa hoje, e ame a pessoa que conhecia antes (continua amando).
Eu: "Ódio nada tem a ver com amor" - é, depois que escrevi isso e reli, fiquei pensando se realmente achava isso, e não. Não acho que tenha a ver.Mas se o amor se transforma, se transforma em que? pode ser em qualquer coisa, até em desprezo, então não existe mais amor... porque amor não deixa de ser amor, não é outra coisa."o que faz com que você não mais conheça a pessoa hoje, e ame a pessoa que conhecia antes (continua amando)." - Eu amo a pessoa que conhecia e não mais a de hoje, a de hoje eu mal conheço. Não a amo, amava.
Meu irmão: 1- Amor se transforma em amor. Em outro dos milhares tipos de amor.2- Não amas a pessoa de hoje, mas amas a pessoa de antes, que não deixastes de amar. Apenas não a encontras mais... A de hoje jamais amastes. Pessoas mudam, assim como tudo.Odeio quando começo a racionalizar sentimentos... Que droga.
Eu: 1- Como assim em outros tipos de amor? Existe um amor menor que outro? Parece estranho, só consigo diferenciar o de pai, mãe, filho, irmão e companheiros. Desconheço esses outros tipos de amor, nós discutíamos sobre o amor ser amor e pronto, não é outra coisa. 2- Pois então, não encontro mais a pessoa que amei - amei, no passado - o que amei foi embora, não existe mais, não a amo hoje. Se ela mudou (e mudou porque todos mudamos) eu não amo mais pelos motivos que a amava, talvez por outros motivos, mas se nós nos distanciamos, não existe mais o amor, porque é outra pessoa "A de hoje, jamais amaste". Amo o passado dela. E não ela, porque o ser dela é o hoje.
Meu irmão: 1- Não é diferente em intensidade, mas em qualidade. Não é amor menor, ou maior. É amor de amigo, de filho, de namorados, etc...2- Pensando sobre as coisas, e talvez algumas opiniões minhas tenham mudado por aqui...

(O último comentário foi do meu pai, não tinha mais espaço pra outros.. e fechou com chave de ouro)

O amor não existe... ou é tudo. A idéia que temos do amor não é o amor, é a idéia que fazemos dele. Amamos realmente alguém? Ou amamos a nós mesmos...? O que significa amar? Sentir, vibrar, lembrar, sensibilizar? O amor existe? O amor é um só? Amamos todos da mesma forma? Quem realmente ama? Eu posso dizer que amei diversas vezes, diversas pessoas, intensamente todas elas e cada uma de um formato, cada uma com seu próprio desenho, com seu/meu próprio sonho. Então o amor é um sonho, um filme, um luar intenso a desbravar nossas florestas? Amamos o amor? Eu amo, amar... acho que o dia que conseguirmos explicar o amor ele se tornará tão pequeno e efêmero que não mais existirá. O amor existe... ou é tudo.

.

5.9.08

desaparecida

Não entendo porque as pessoas que se relacionam comigo sonham em conseguir construir futuramente uma vida ao meu lado. Eu não ofereço nenhum tipo de estabilidade. Meu sorriso é avulso, meu abraço é folgado, meu beijo raramente tira o fôlego, meu corpo quase nunca acompanha meu pensamento, minha fala sempre é sincera e machuca. É assim mesmo: quanto mais insegura, incerta, desequilibrada e doente for a relação, mais nos tornamos presos por ela. Mas não sou eu a prisioneira, sou eu que sempre liberto os que não querem ser libertados.
Continuo livre, nunca leve, nunca solta.
Somente livre.