30.4.08

Estou belém, bem

Abril acaba. Demorou, mas acabou. Graças!
Maio será ótimo, estou bem e quem não está? Belém anda me fazendo um bem.
Amo Belém, nunca vou embora daqui. Sei que em nenhum outro lugar encontraria pessoas tão maravilhosas (parece clichê e meloso) que sei que amarei pro resto da vida...

29.4.08

palavra?

A tristeza já tem vontade de ir. Logo logo eu me livro ( livro? gostaria de escrever um...). Ando esquecendo de lembrar, parece que morreu. Não de morte morrida e sim de morte matada (por mim?). Gosto de esperar o fim-de-semana, prontifico-me em abrir as portas e janelas pra ver aqueles sorrisos, alguma boca. Mas viver é arrepender-se, de que adianta esquecer se nunca vai embora? Tudo volta, sempre volta. A cada segundo algo aqui dentro morre. E volta. Nunca ressuscita, renasce. De um jeito diferente cada vez que abro os olhos...
Pensar no que escrever é como dizer que ama - inútil.
São somente palavras. E minhas palavras geralmente parecem tão suicidas, mas elas só me auxiliam na hora de me expressar, só isso. Amo a palavra. A madrugada e a insônia são as grandes amigas da palavra. O silêncio é apaixonado por ela, gosto de observá-los juntos.

16.4.08

alguémaior

A música que inspirou esse "novo" blog (sim, porque antes não era Caminhante Noturno, não tinha esse ar triste e sombrio - também não vou dizer o que era antes porque era muito óbvio que era eu escrevendo, agora nem tanto: tirei meu nome e tudo que poderia ser relacionado a ele - mas é idiotice pensar que ninguém descobre quem escreve aqui e mais idiotice ainda é achar que ninguém lê ou se interessa... pois sim, voltando à música) é muito singular. Toda vez que escuto, sinto algo diferente e tem tudo a ver com esses meus dias.
Eu nem vim aqui escrever sobre a música, só que coloquei ela no playlist e acabei me empolgando, vim pra escrever o que a Vera - a mulher que arruma minha casa e faz o almoço - falou sobre o céu hoje:
- Vem ver aqui na janela, ... meu deus! Que coisa mais bonita! (e fez uma cara tão surpresa que eu queria ter tirado uma foto daquela expressão)
Cheguei perto, e perguntei diante da janela:
- Mas o que foi que houve? A rua parece-me normal... (pobre de mim, como posso ser tão humana numa hora dessas)
- Não tá vendo? É só olhar pra cima: O céu tá mais azul que nunca hoje, milagrosamente a chuva não vem encher o saco! (e abriu um sorrisão)
- Ham.. é, tá bonito mesmo (pior que eu fiquei pensando: "como assim ela se surpreendeu com isso? o céu tá normal, não tá lá grandes coisas, já tiveram dias em que esteve muito mais lindo.")
E ela continuou a cozinhar a carne, toda sorridente e às vezes até parava diante da janela e olhava o céu pra ele ver o quanto ela estava de bem com ele.

15.4.08

dá na mesma

Estava pensando dia desses:

o que importa escrveer o que se sente se ninguém nunca entende?















(tradução: o que importa escrever o que se sente se ninguém nunca entende?)

açúcar

eu sinto tanto medo, essa chuva, todos os dias
não aguento mais tanta chuva e desgraça e decadência vinda de mim ou não
escuto a música, acalma
mas pra que se, como toda música, acaba? e acaba.
peço pra repetir, e sempre a mesma coisa, o ônibus, a ida, a unama, a vontade (que não mais tenho)
e vem sempre alguém me consolar, não gosto desse drama que sempre faço
pra que consolar? se tudo volta ou continua ou pára por segundos, volta e volta
menos o alívio.

13.4.08

com mida

Porque é tão ruim lembrar dos 17 anos? Quando amanhecia com vontade de comer o mundo, esse vasto mundo de Drummond, mas meu coração sempre foi mais vasto...
Ainda que me chamasse raimundo, mundo.

10.4.08

arqueologia

Acho que pela primeira vez eu conseguirei cumprir alguma promessa que faço pra mim mesma, das infinitas que faço, nenhuma eu cumpri.
Mas o que minha promessa tem a ver com o que sinto?
mas o que sinto faz algum sentido?
mas porque eu tenho que prometer pro espelho se ele nem sente falta?
mas porque existem tantas perguntas que eu não posso perguntar? só porque ele está enterrado? então as respostas foram enterradas...
[ainda bem que não aprendi escavar fósseis]

essas chuvas

Esses meus encontros com a chuva são sempre um grande desastre, a minha chuva é salgada, tem o gosto da tristeza. "Nem faço falta" é o pensamento que me distrai sempre que paro de respirar por saber que aquilo está no mesmo espaço que eu e minha saudade, ela é mínima e está por diminuir, desaparecer. Mas ela me desarma.

3.4.08

impede

uma semana
dois dias
sem essa voz, esses nós
entalado
na
goela
perguntam-ti: consegues viver
sem ela?
mas que
problema seria

se o
crepúsculo
de todo
dia
acontece
com
ou sem
o
coração na minha lágrima
tardia.


em marte

Peguei pra escutar o cd Cinema Olympia (raro & inédito) do Caetano com participação do Gil e dos Mutantes, teve uma música muito bonita, chamada Marcianita e tocou bem na hora que estava quase dormindo, comecei a prestar atenção na música e letra, mal conseguia fechar os olhos, só sentia aquela voz ecoada gritando algo tão eu, quase uma poesia, não só pela letra, mas toda a construção da música me remeteu à meu ser. Como se a música me conhecesse tão intensamente...

Esperada, marcianita,
Asseguram os homens de ciência
Que em dez anos mais, tu e eu
Estaremos bem juntinhos,
E nos cantos escuros do céu falaremos de amor .

Tenho tanto te esperado,
Mas serei o primeiro varão
A chegar até onde estás
Pois na terra sou logrado,
E em matéria de amor
Eu sou sempre passado pra trás.

Sou logrado
E em matéria de amor
Eu sou sempre passado pra trás

Eu quero uma mina de Marte que seja sincera
Que não se pinte, nem fume
Nem saiba sequer o que é ié ié ié.
Marcianita, branca ou negra,
Gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante,
Serás, meu amor

A distância nos separa,
Mas no ano 70 felizes seremos os dois.
A distância nos separa,
Mas no ano 70 felizes seremos os dois.


Caetano Veloso/ Os Mutantes


2.4.08

abriu abril!

Finalmente o mês acabou, não que isso realmente signifique alguma coisa, tão longe ainda de uma coisa boa, mas pelo menos (é o que dizem as pessoas) o tempo vai passando as dores vão ficando lá atrás (outras vem, mas tudo bem - até rimou) ah, não sei. Na verdade eu vim escrever aqui porque tá muito frio, queria escrever algo relacionado a isso, mas nem sei. Domingo meu pai foi meu melhor amigo, ouviu meu desabafo que tava entalado há três semanas passadas sobre um assunto super chato que sempre que perguntam eu digo que não estou afim de explicar e isso foi se acumulando de uma forma muito ruim aqui dentro, até que ele se prontificou em me ouvir. Mentira, porque nem foi nada disso, a gente tava falando sobre outra coisa aí eu disparei em falar pápápápá e ele ficou até meio assustado na rapidez em que eu falava, mas aquilo foi saindo da minha boca como um pássaro de asas abertas quase cantarolando de felicidade, batia as asas com força e fugia pela janela para o céu. Foi quase essa a sensação que eu tive também, acho que só não foi pelo simples fato de que ando angustiada ainda e sei que isso vai continuar até porque não há a mínima possibilidade de eu fugir pela janela em direção ao céu. Quando ele estava me ouvindo ele falou algo tão bonito sobre a amizade, disse que é um sentimento libertário e bonito, algo sem cobranças, sem frescuras, e que sabes que tens ali pra ti quando precisares. Não tens posse sobre teu amigo e não ficas chorando se por um acaso ele estiver com outros amigos, porque ele não é TEU amigo e sim alguém com quem divides teus sonhos e vida. Talvez depois dessa conversa eu tenha entendido melhor o que se passava esses tempos comigo. Não que agora esteja tudo bem, "ah, entendi, que bom!". Não, de maneira nenhuma, já passa de uma semana que essa saudade fica aqui, mas eita coisa chata, perturba-me, sai fora!

80


Revistando o passado (pra variar um pouco), achei uma das grandes preciosidades dessa casa: um álbum que minha mãe guarda a sete chaves, onde ela está na flor da idade em vários momentos de sua juventude e aí está a que eu mais gosto.

Ps: (só estragando um pouco a magia da foto) ela não sabe tocar nadica de nada e só posou pra foto mesmo, mas não deixa de ser linda né?