bom conhecer novos seres.
parece-me confortável conviver com eles, uma boa aproximação e já basta.
são como novos livros, a cada página uma surpresa, uma frase bonita ou sutil... cada um com sua capa, sua história, interessante ou não, intrigante ou não, inevitavelmente atiçam minha(s) curiosidade(s).
serão quatro anos. espero que sejam bons, com experiências boas e ruins de vida e de trabalho mútuo. é bom olhar para outros olhos e se ver dentro deles.
estou aguardando o que vem de 2008, pelo menos as aulas parecem ser mais produtivas.
28.2.08
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caminhante noturno
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27.2.08
26.2.08
dor e dor
eu vivo como um cuco no relógio.
não invejo os pássaros livres.
se me dão corda, canto.
só aos inimigos
se deseja
tanto.
anna akhmátova
cansa-me escrever o que vem de dentro, o que quer sair pra fora e se desprender de mim, às vezes dói... mas a dor é psicológica, não chega na pele/superfície, não rasga a carne. gosto de ler o que faz sentir dor, gosto das palavras tristes que se transformam em tragédias no meu mundo parcial, intenso como angústia que perturba-me todas as noites. parece dramático - e é -, mas quem não gosta de drama?
e escrevo de novo: é difícil (te) ignorar, é difícil. e ontem eu rendi-me.
mas o tempo foi contra nós dois e esbarrou na tua voz.
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caminhante noturno
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25.2.08
podre
que nem uma fruta estragada, destruída não só pelo tempo, mas pela vida que levou. a cor mudou, a beleza já não é visível e é rejeitada. já não possui nenhuma utilidade, os insetos se infiltraram nela há muito e não é reversível. nem se ela quisesse, poderia voltar a ser uma fruta bela e interessante para seus fins: sua vida acaba aqui mesmo.
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caminhante noturno
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24.2.08
numa folha qualquer...
meu professor de desenho disse que hei de exercitar o meu ver e meu olhar. acho que faço isso naturalmente, principalmente quando penso em fotografia. o problema é que ultimamente nada tem me tocado: nem meus sentimentos, nem o passar das horas, ou o fim de algum sonho. lembro-me que mesmo um sorriso qualquer que me presenteavam ou cabelos chacoalhados pelo vento me inspiravam...
vou em busca de antigas fotos e mistérios, mas nada.
sinto cada vez mais que estou perdendo a paixão.
não pelas artes, mas de fazer alguma.
e sempre que olho-me no espelho, ele indaga-me: 'porque essa inconstância em relação ao mundo?' fico calada, levanto uma sombrancelha e volto à vida maluca.
mas meus medos ficam guardados ali no espelho, comunico-me com ele.
os medos me secam.
levo a vida cheia de medos: pequenos, grandes, eternos e desnecessários,
(assim como as paixões.)
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6.2.08
3.2.08
mito da caverna
nesses últimos três dias estou adaptando-me à caverna, às vezes é frio e assustador principalmente quando preocupo-me em pensar no que vai acontecer daqui pra frente. fechar os olhos e imaginar o que vem por aí para cima de mim depois de toda essa tempestade é desolador. e por falar em desolação espero que ela não me venha pertubar esta semana. estou tentando planejar meus dias para que não tenha tempo para lembrar e sentir. mas eu lembro. mas eu sinto. tornei-me minha própria inimiga, repetindo os mesmos erros, sempre pensando que não eram erros e que valeriam a pena no final. que final? final de que? também não sei. alguém sabe?
nunca pensei nisso como um erro, nunca. talvez agora, cansada de sonhar tanto, criar novelas medíocres na cabeça onde as pessoas mudam de idéia, percebem o que sentem e se declaram nos meus ouvidos. era bonito olhar para aquele sorriso e saber que era pra mim e que aquilo era verdade, palpável. e não ía acordar achando que cochilei. ser romântico é ser triste. mesmo depois de tantos baques feios e fragmentados, eu ainda aguardo. mas aguardo prevendo o fim e foi assim que fiz as pazes com a razão. só espero que dure mais que uma semana.
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caminhante noturno
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2.2.08
sem borracha
agora passou, tudo passou
é como se fosse outra pessoa, com outro nome, outra alma, outro ser, outro corpo
um corpo estranho difícil de se adaptar como uma roupa nova, mas para sempre.
é difícil (te) ignorar, é difícil.
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1.2.08
meu único amigo, o vento.
vai a onda, vem a nuvem, cai a folha. quem sopra meu nome?
raia o dia, tem sereno. o pai ralha, meu bem trouxe um perfume? o meu amigo secreto.
põe meu coração a balançar. pai, o tempo está virando!
pai, me deixa respirar o vento. vento...
nem um barco, nem um peixe. cai a tarde, quem sabe meu nome?
paisagem. ninguém se mexe.
paira o sol, meu bem terá ciúme? meu namorado erradio
sai de déu em déu a me buscar.
pai, olha que o tempo vira. pai, me deixa caminhar ao vento. vento...
se o mar tem o coral, a estrela, o caramujo. um galeão no lodo jogada num quintal.
enxuta, a concha guarda o mar no seu estojo. ai, meu amor para sempre...
nunca me conceda descansar. pai, o tempo vai virar. meu pai, deixa me carregar o vento.
vento.
vento,
vento...
chico buarque - a ostra e o vento
ela não acredita se existe o hoje, o amanhã. seu único amigo é o vento, pois ele sempre está por perto, sempre presente. a única certeza que ela tem é que ele volta pra ela, assim deposita todo o amor nesse que leva seus cabelos e seu vestido junto com as conchas da areia. se o farol apagar, o vento vai guiar. marcela gostaria de conhecer a cidade, viajando com sua ilha guiada pelas estrelas. aquilo ali tornou-se uma grande prisão. ela não poderia ultrapassar do mar, muito menos amar alguém. o temporal e a neblina acobertaram-se da noite naquele dia. e o vestido amarelo abraçou marcela pela última vez. e fico perguntando-me: será que aproveito minha liberdade?
(claro que não, eu to presa dentro daqueles olhos)
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